No Cérebro há uma distinção visível entre a chamada massa cinzenta e a massa branca, constituída pelas fibras (axónios) que entreligam os neurónios. A substância cinzenta do cerebro, o córtex cerebral, é constituído corpos celulares de dois tipos de células: as células de Glia - também chamadas de neurôglias - e os neurônios. O córtex cerebral humano é um tecido fino (como uma membrana) que tem uma espessura entre 1 e 4 mm e uma estrutura laminar formada por 6 camadas distintas de diferentes tipos de corpos celulares de neurônios. Perpendicularmente às camadas, existem grandes neurônios chamados neurônios piramidais que ligam as várias camadas entre si e representam cerca de 85% dos neurônios no córtex. Os neurônios piramidais estão entreligados uns aos outros através de ligações excitatórias e pensa-se que a sua rede é o «esqueleto» da organização cortical. Podem receber entradas de milhares de outros neurônios e podem transmitir sinais a distâncias da ordem dos centímetros e atravessando várias camadas do córtex. Os estudos realizados indicam que cada célula piramidal está ligada a quase tantas outras células piramidais quantas as suas sinapses (cerca de 4 mil); o que implica que nenhum neurônio está a mais de um número pequeno de sinapses de distância de qualquer outro neurônio no córtex.
Embora até há poucos anos se pensasse que a função das células de Glia é essencialmente a de nutrir, isolar e proteger os neurônios, estudos mais recentes sugerem que os astrócitos podem ser tão críticos para certas funções corticais quanto os neurônios.
As diferentes partes do córtex cerebral são divididas em quatro áreas chamadas de lobos cerebrais, tendo cada uma funções diferenciadas e especializadas. Os lobos cerebrais são designados pelos nomes dos ossos cranianos nas suas proximidades e que os recobrem. O lobo frontal fica localizado na região da testa; o lobo occipital, na região da nuca; o lobo parietal, na parte superior central da cabeça; e os lobos temporais, nas regiões laterais da cabeça, por cima das orelhas.
O lobo frontal, que inclui o córtex motor e pré-motor e o córtex pré-frontal, está envolvido no planeamento de acções e movimento, assim como no pensamento abstracto. A actividade no lobo frontal aumenta nas pessoas normais somente quando temos que executar uma tarefa difícil em que temos que descobrir uma sequência de acções que minimize o número de manipulações necessárias. A parte da frente do lobo frontal, o córtex préfrontal, tem que ver com estratégia: decidir que sequências de movimento activar e em que ordem e avaliar o seu resultado. As suas funções parecem incluir o pensamento abstracto e criativo, a fluência do pensamento e da linguagem, respostas afectivas e capacidade para ligações emocionais, julgamento social, vontade e determinação para acção e atenção selectiva. Traumas no córtex préfrontal fazem com que uma pessoa fique preso obstinadamente a estratégias que não funcionam ou que não consigam desenvolver uma sequência de acções correcta.
Os lobos parietais, temporais e occipitais estão envolvidos na produção das percepções resultantes daquilo que os nossos órgãos sensoriais detectam no meio exterior e da informação que fornecem sobre a posição e relação com objetos exteriores das diferentes partes do nosso corpo.
Estudo científico do Cérebro O Cérebro e as funções cerebrais têm sido estudados cientificamente por diversos ramos do saber. É um projecto pluri-disciplinar. Nasceu assim a neurociência com o objectivo de estudar o funcionamento do Sistema Nervoso, nomeadamente do Sistema Nervoso Central, a partir de uma perspectiva biológica. A psicologia, depois de se ter emancipado da filosofia e de vários conceitos religiosos, tem por objectivo estudar cientificamente o comportamento do indivíduo e como este se relaciona com as estruturas cerebrais. A ciência cognitiva procura estudar as funções cerebrais com objectivo de desenvolver o conceito de "inteligência artificial".
Métodos de Observação Pierre Flourens, por volta de 1825, começou as primeiras descobertas relacionadas com funcionamento cerebral. Anatomistas e fisiologistas desenvolveram novos métodos experimentais para intervir directamente no Cérebro e observar os resultados destas intervenções sobre o comportamento de animais.
Estes métodos eram:
- A ablação cirúrgica seletiva de partes do Cérebro de animais.
- A estimulação eléctrica do Cérebro de animais e seres humanos.
- Os estudos clínicos, ou seja, pacientes com deficiencias neurológicas ou mentais tiveram seus Cérebros examinados após a sua morte, numa tentativa de identificar com alterações detectáveis no tecido nervoso.
A eletroencefalografia ou EEG, dá-se com a colocação de eletrodos sobre a pele, a fim de se registarem os impulsos nervosos (de natureza electro-química) gerados por diferentes partes do córtex cerebral. O exame detecta apenas mudanças em larga escala e ocorridas apenas nas camadas mais externas do órgão. Com o aparecimento dos métodos de imagem, a Tomografia axial computorizada ou TAC e da Imagem por Ressonância magnética, vieram revolucionar o estudo do funcionamento do Cérebro e tornar o diagnóstico médico mais rigoroso.
A ressonância magnética funciona mede as mudanças no fluxo de sangue dentro do Cérebro, mas a actividade dos neurônios não é diretamente medida, e não pode se distinguir onde a atividade é de inibição ou onde é de excitação. Testes de comportamento podem avaliar sintomas de doenças e o desempenho mental, mas também são medidas indirectas das funções cerebrais e podem não ser práticas em todos os animais. Análises feitas em cadáveres de animais permitem o estudo da anatomia e da distribuição de proteínas no Cérebro.

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